Cruzada da Moralidade
Nunca foi tão importante no País uma cruzada pela moralidade. As denúncias que se sucedem, os escândalos que se multiplicam, os casos ilícitos que ocorrem em diversos níveis da administração pública exibem, de forma veemente, a profunda crise moral por que passa o país. O povo se afasta cada vez mais dos políticos, como se estes fossem símbolos de todos os males. As instituições normativas, que fundamentam o sistema democrático, caem no descrédito. Os governantes, eleitos pela expressão do voto, também engrossam a descrença e acabam comprometendo seus programas de gestão.
Para complicar, ainda estamos no meio da ameaça da volta da inflação, que coloca em risco o crescimento do País. É dentro deste clima que se processarão as eleições para prefeito e vereadores em outubro. Não é de se estranhar que parcelas imensas do eleitorado, em protesto contra o que vê e sente, pretendem manifestar sua posição com o voto nulo e abstenção. Convenhamos, nenhuma democracia floresce desta maneira.
Os homens que têm responsabilidade pública não podem ficar de braços cruzados, a atitude de inércia e apatia os condenará ao castigo da História. É possível fazer-se algo, de imediato, que possa acender uma pequena chama de esperança. A esperança é um valor que vitaliza a sociedade, abrindo-lhe a confiança tão necessária para que volte a acreditar nas instituições e seus representantes. O que pode ser feito, então?
A primeira iniciativa está dentro de cada um. A grande revolução que uma pessoa pode fazer começa dentro de si. Significa que as pessoas precisam reexaminar suas posturas, atitudes e seu papel na sociedade. Se cada brasileiro cumprisse melhor suas funções e desempenhasse de maneira mais eficiente seus papéis, teríamos maior eficácia nos resultados e custos menores de operação. Se cada brasileiro olhasse mais para o País e o sentido da coletividade, teríamos menos egoísmo e interesses personalistas. Se cada pessoa fosse fiel cumpridora dos regulamentos, veríamos diminuir drasticamente o mal da corrupção, que é uma das maiores pragas do país.
Ocorre que pouca gente obedece às leis do trânsito, poucos são capazes de prestar solidariedade aos mais carentes, de adotar padrões de seriedade e moralidade em suas atividades rotineiras, principalmente em se tratando da coisa pública, e muitos procuram se aproveitar dos espaços permitidos pela burocracia para obter regalias, mordomias e outras formas de benesses.
Por tudo isso, precisamos sair à rua com uma campanha nacional pela moralidade. Os meios de comunicação são instrumentos fundamentais para o sucesso de um empreendimento como este. Comunicadores, formadores de opinião de todos os setores, professores, profissionais liberais, entidades já organizadas e com forte influência nas comunidades devem se engajar nesse movimento para mostrar sua indignação. Trata-se de uma iniciativa que deve estar acima das ideologias dos partidos políticos e das entidades. Trata-se da afirmação de nossas vontades para construirmos uma Pátria, que é mais que um País. A cidadania é uma meta que deve motivar nossas energias e esforços. O Brasil dos grandes valores, das grandes idéias, da fé e do trabalho, da esperança e do futuro, necessita, urgentemente, de nossas iniciativas. Para contornar a crise moral, é preciso, antes de mais nada, que cada um cumpra fielmente o seu dever.
CARLOS APOLINARIO, líder do Democratas na Câmara Municipal de São Paulo, foi três vezes deputado estadual, presidente da Assembléia Legislativa, governador do Estado por dez dias, deputado federal e relator da atual lei eleitoral. Está no terceiro mandato como vereador na cidade de São Paulo.
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