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Apolinario fala sobre nepotismo

Carlos Apolinario

Todos os meios de comunicação trouxeram em manchete que o Supremo Tribunal Federal (STF) acabou com o nepotismo, dando a impressão de que toda a contratação de parentes é imoral, sem levar em consideração se o parente colocado em um cargo público é competente e se ele trabalha. Claro que ninguém pode ser a favor de contratações de gente incompetente ou fantasmas. Porém, com essa decisão, temos a impressão de que só gente de outras famílias é séria ou competente. Eu tenho em meu gabinete um jornalista na função de assessor de imprensa que já trabalhou na Rede Globo, na revista Veja e no Estadão. Se ele fosse meu parente, eu não poderia contratá-lo? Quantos funcionários incompetentes trabalham em gabinetes ou até são fantasmas? Não quero, com esse argumento, defender estritamente o nepotismo, mas também não posso transformar familiares trabalhadores em bandidos. Temos que moralizar o serviço público, sem atrapalhar a vida de gente séria e competente. Agora vejamos o chamado nepotismo cruzado: se eu, que sou vereador, tivesse um irmão jornalista, ele não poderia trabalhar nem comigo nem com outro político. Se você que está lendo está nota tiver um parente político não poderá trabalhar em nenhum cargo de confiança, pois isto também seria considerado nepotismo. Por isso, vai aqui um conselho: caso alguém de sua família se candidate, trabalhe contra, porque, se ele ganhar, você estará excluído de qualquer contratação.

Carlos Apolinario, líder do Democratas na Câmara Municipal de São Paulo, foi três vezes deputado estadual, presidente da Assembléia Legislativa, governador do Estado por dez dias, deputado federal e relator da atual lei eleitoral. Está no terceiro mandato de vereador na cidade de São Paulo.

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