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Apolinario convida a imprensa a refletir

Carlos Apolinario*

Em geral, eleições municipais despertam o interesse apenas da população local, pois é o momento em que se discutem os problemas e as soluções para as cidades. Porém sabemos que as eleições em São Paulo têm maior repercussão, por ser a capital do maior Estado brasileiro, e é acompanhada de perto por todos. Esta é a razão pela qual me dirijo aos jornalistas, para fazer um convite à reflexão. Nessa época, mais do que em qualquer outra, todos estão atentos às notícias veiculadas, porque elas são o meio pelo qual conhecemos as propostas que cada candidato faz para melhorar a nossa cidade.

Numa metrópole de 11 milhões de habitantes e 7 milhões de eleitores, é impossível aos candidatos levar suas propostas a todos os eleitores se não for através do horário eleitoral e da imprensa. Nem com muitos comícios ou contatos pessoais isso é possível. Por isso, a responsabilidade da imprensa aumenta. Para o candidato, é um momento decisivo, mas a imprensa também tem seus próprios desafios.

No Brasil, para termos uma eleição verdadeiramente democrática, o rádio e a televisão seguem regras definidas pela lei eleitoral. Não é o caso de jornais, revistas e sites de notícias, que estão livres para publicarem o que quiserem. Porém, para manterem a credibilidade junto a seus leitores, estas publicações devem ser isentas, dando aos candidatos espaço condizente com sua representatividade, seja por meio de reportagens, entrevistas ou até mesmo com as fotografias escolhidas, pois uma foto tem poder para levantar ou derrubar um candidato. Um texto pode ser correto, com informações precisas e fidedignas, mas se a fotografia revelar uma expressão de irritação, cansaço ou desprezo, o efeito será desastroso.

Tenho certeza de que os jornais sérios não querem esse resultado. A proprietária do jornal Washington Post, Katharine Grahan, revelou em sua biografia a preocupação que tinha com os políticos que tentam manipular a imprensa ou com a falta de cuidados dos editores. Tanto uns quanto outros podem afetar o maior bem de um veículo de comunicação: a credibilidade. Não é à toa que, com uma mulher dessas à frente do jornal, o Washington Post derrubou Nixon, o presidente da nação mais poderosa do planeta.


* Carlos Apolinario, líder do Democratas na Câmara Municipal de São Paulo, foi três vezes deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, governador interino por dez dias e deputado federal. Está no terceiro mandado de vereador em São Paulo.

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